Profissionais estão se aperfeiçoando cada vez mais e exigem que o diploma seja respeitado.

Quando alguém diz "secretária", em geral nos vem à mente a imagem de uma mulher discreta e elegante em um tailleur, uma expressão neutra e eficiente no rosto, anotando alguma coisa e falando ao telefone. A figura descrita acima ainda pode ser encontrada em alguns escritórios, mas não se engane: o perfil das secretárias está mudando, e elas não são mais seres sem liderança e sem opinião, cujas funções se restringem às tarefas automáticas de intermediação de ligações e do cafezinho.

No próximo 30 de setembro, Dia da Secretária, a profissão completa 20 anos de regulamentação no Brasil e em grande estilo: com curso superior de Secretariado Executivo. O curso prepara profissionais da área para tornarem-se cada vez mais assessores e gestores, e não mais peças secundárias no funcionamento da empresa.

Outro ponto positivo é o ingresso de homens nesse mercado de trabalho antes eminentemente feminino. Há, ainda, a proposta da criação de um Conselho Nacional para a profissão, à semelhança dos conselhos de Medicina e Direito, que só permita a contratação para o cargo de secretário ou secretária pessoas com formação técnica ou superior na área.

A categoria já tem como órgão regulador a Federação Nacional dos Secretários e Secretárias (Fenassec), que congrega os sindicatos de profissionais de secretariado de todos os estados. Mas a Fenassec não tem poderes de fiscalização de contratação de profissionais. A regulamentação da profissão, de 1985, diz o seguinte: quem se forma em secretariado técnico ou executivo deve registrar-se na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) mais próxima como secretário ou secretária.
Quem, antes de 85, já exercia a profissão há pelo menos três anos ou mais, não precisou fazer curso para ser reconhecido como secretário. Foi necessário comprovar a experiência e cadastrar-se nas DRTs. A legislação recomenda às empresas que só contratem, para secretariado, profissionais com curso técnico ou superior. Não foi designado, no entanto, nenhum órgão para fazer a fiscalização.

A Fenassec pede a todos os formados em curso técnico e superior que se registrem nas DRTs tão logo tenham o diploma em mãos. "Claro que existem os que exercem sem ter nenhuma formação, mas têm muita gente que se forma e não vai até a DRT fazer o registro. A categoria precisa se unir", diz Maria do Carmo Assis, diretora da Fenassec em São Paulo. Ela informa que, atualmente, estima-se que existam 1,8 milhões de indivíduos exercendo a profissão de secretário no Brasil. Destes, somente 100 mil são registrados nas DRTs.

No Distrito Federal, o quadro da profissão não é diferente. Segundo Normélia Alves Nogueira, 50 anos, presidente do Sindicato dos Secretários e das Secretárias do DF (SISDF), existem cerca de 20 mil pessoas exercendo funções de secretariado em Brasília e nas cidades satélites, dos quais apenas 3 mil são registrados.

Categoria bem-capacitada

Problemas de fiscalização e cadastro à parte, os profissionais de secretariado parecem felizes com as conquistas dos últimos 20 anos. Ana Cristina Silva, 37 anos, secretária de diretoria no Ministério das Comunicações há 15 anos, faz parte da coordenação do curso de Secretariado Executivo da Faculdade Alvorada e, ressalta, como exemplo da evolução de sua carreira, a profundidade e a gama de assuntos que passaram a ser da competência de secretários e secretárias.

O secretário-executivo exerce tarefas de um assessor, gestor, gerenciador, explica. Na faculdade, estuda disciplinas como estatística, matemática financeira, alguns aspectos de Direito, gestão de pessoas e de informações, dois ou mais idiomas. Cristina, que atualmente faz pós-graduação em Gestão de Pessoas, acredita que os secretários e secretárias de hoje têm espírito de liderança e desenvoltura para gerir e tomar decisões na ausência dos superiores. Já ocorreu várias vezes de ter que ter jogo de cintura, pensar por conta própria e tomar decisões na ausência do chefe, contou.

Já Normélia Alves Nogueira, secretária por 26 anos, atualmente funcionária do Ministério dos Transportes, aponta outra mudança em relação ao trabalho da categoria: eles estão muito mais profissionais. Hoje já não existe tanto aquela secretária que conhece e trata dos problemas pessoais do chefe, como aniversário das crianças, ex-esposa, etc. Mesmo porque muitas já nem são secretárias de um chefe, e sim de uma empresa. É essencial separar o profissional do pessoal, opina.

Jornal de Brasília